A História do Dojo na UFF

Nessa semana eu resolvi mudar o tema do meu projeto final. Decidi abordar algum tema que eu goste, que eu me envolva e com que eu tenha tido experiência ao longo da universidade. Sendo assim, resolvi falar sobre o Dojo. Estou mapeando ainda o foco principal do trabalho, mas o primeiro levantamento foi passar para a professora um texto com um relato da história do Dojo na UFF. Depois de escrever todo o texto, ao relê-lo foi emocionante lembrar dos momentos e das pessoas com que pude me relacionar ao longo desses anos. Então resolvi dividir com todos a minha visão sobre como o dojo da UFF cresceu nesses anos.

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Na UFF o Dojo começou quando o aluno de Engenharia de Telecomunicações, Álvaro Justen, trouxe a experiência que ele havia vivido em uma sessão do DojoRio na Lapa. Isso foi em Setembro de 2009. Até o dia de hoje, tivemos vários acontecimentos no Dojo da UFF que alavancaram o patamar de ser apenas mais uma sessão de Dojo no Rio de Janeiro para um referencial de como utilizar o próprio sistema ensino para modificá-lo para outras universidades.

O começo dessa história se deu quando utilizávamos a Sala de Seminários da Computação de maneira não oficial para realizarmos os encontros. O público variava na média de 8 a 10 pessoas por sessão. Entretanto, éramos sempre os mesmos que íamos nos encontrar para programarmos juntos. Esse fator foi fundamental para criarmos um grupo sólido de, além de grandes amigos, defensores do Dojo e da visão que ele proporciona sobre o social e a socialização do conhecimento.

Primeiro Dojo de Niterói

O primeiro grande baque do Dojo na UFF foi quando ‘descobriram’ que nós estávamos usando as dependências da Sala de Seminários da Computação e proibiram o uso da sala para outras atividades que não fossem defesas de testes de pesquisa. Tentamos tanto pela Coordenação da Graduação de Ciência da Computação quanto pela Coordenação da Pós-Graduação de Ciência da Computação utilizarmos a sala, mas em uma votação realizada pelos professores continuou vetado o uso da sala.

Sala de Seminários

Como dito anteriormente, o nosso grupo de participantes era bastante sólido e não queríamos abrir mão dessa atividade que para nós sempre foi enriquecedora. Então, com a ajuda do Mário Mariani, passamos a utilizar o laboratório do NTP, no Gragoatá, outro Campus da UFF. Permanecemos por lá praticamente por todas as férias de 2009 e início de 2010. Nessa época, o número de participantes caiu um pouco, mas fortaleceu-se o lado do relacionamento entre os que permaneceram, o que foi essencial para a evolução do nosso Dojo.

Em paralelo a isso, eu e o Andre Oliveira estávamos tentando articular com a UFF alguma maneira de conseguirmos uma sala para realizarmos o nosso encontro. Vale dizer que o sentimento que tínhamos era o de fazer o Dojo na UFF no mesmo lugar que os alunos da Computação estão. Era uma questão de defendermos aquilo que acreditamos e querermos mostrar para os outros alunos. Isso era notável nas grandes discussões que tínhamos sobre o futuro do Dojo nessa época. Foi então que, com o apoio do professor Leonardo Murta, conseguimos a famosa sala 230-B que hoje é conhecida dentro da UFF como a Sala do Dojo.

Após atingir o nosso objetivo de trazer de volta o Dojo para dentro da UFF, definimos uma próxima meta: populá-lo novamente. Nessa época, novamente eu e o Andre Oliveira recebemos um convite da professora Isabel Cafezeiro e Daniela Trevisan para palestrarmos para os alunos da disciplina de Informática I que é ministrada para os calouros. Isso foi no primeiro semestre de 2010. Após a palestra em que eu falei sobre o Dojo e o Andre Oliveira sobre as outras comunidades do Rio de Janeiro como o ArduInRio, ForkInRio, #horaextra, PythOnRio, RubyOnRio e PythOnCampus, tivemos duas grandes surpresas que juntas foram o grande divisor de águas nessa história.

A primeira surpresa foi a aceitação dos alunos a ideia do Dojo. A ligação foi tamanha que eles resolveram se reunir e começaram a própria sessão de Dojo deles. A proposta deles era a de alinhar o conhecimento que eles iam adquirindo nas diversas turmas de programação que existiam e que eles cursavam. Afinal, como saber se eles estavam aprendendo a mesma matéria da mesma maneira se eles estavam em diferentes turmas? Eu os auxiliei pelos primeiros meses levanto o que era necessário e servindo de guia pelos processos do Dojo até o momento em que eles passaram a caminhar com as próprias pernas.

A segunda grande surpresa foi a invasão do Dojo tradicional e antigo da UFF pelos calouros. Essa invasão resultou em choque de cultura e conhecimento extremamente enriquecedor que resultou em sessões marcadas pelo ensino e pelo aprendizado.

Dado esses dois fatos, os professores começaram a perceber que algo estava acontecendo entre os alunos e os alunos estavam cobrando dos professores que eles entendessem e utilizassem o Dojo. Por causa disso, os professores como o Leonardo Murta, a Vanessa Braganholo e o Dante Corbucci, começaram a procurar os alunos que participavam do Dojo para que estes auxilassem a utilização do Dojo em suas aulas. O ápice disso foi um pedido de uma professora da Universidade Federal de Juiz de Fora, aluna de doutorado em Computação pela UFF, a Alessandreia Julio, para que eu, o Luis Vieira, o Flávio Amieiro e a Mariana Bedran fôssemos mostrar aos alunos o que estava acontecendo na UFF. O efeito disso foi que, hoje, existe também um Dojo na UFJF e os alunos de lá estão tentando também implantar o Dojo na universidade.

O reflexo desse crescimento no Dojo vem quando, em 2010.2, fui novamente convidado pelas professoras Isabel Cafezeiro e Daniela Trevisan para falar aos novos calouros sobre o Dojo. A reação foi a mesma dos calouros do período passado. Eles começaram a participar do Dojo tradicional da UFF e também entraram no Dojo que os calouros de 2010.1 criaram. Isso foi interessante porque a transição de aprendiz para mestre dos alunos de 2010.1 se deu de maneira muito rápida.

Dado que havíamos consolidado a participação dos alunos, resolvemos então focar no processo. Passamos a analisar o Dojo para identificarmos quais os problemas e pontos que poderíamos melhorar para o maior entendimento da dinâmica e dos conceitos de programação passados pelo Dojo. Percebemos então que o conceito do estado dos testes, passando ou não passando, era uma barreira para os novatos entenderem de primeira. Foi então que, em uma madrugada, eu, o Álvaro Justen, o Eduardo Carvalho e o Samir Cury, desenvolvemos um semáforo para o Dojo utilizando o Arduino para fazer a comunicação entre o computador com o dojotools (ferramenta livre desenvolvida pelo Flávio Amieiro e utilizada nas sessões de Dojo) e o semáforo doado pelo Henrique Bastos. Assim, o conceito que era subjetivo, tornou-se físico.

Com a consolidação dos novos alunos no Dojo, eu e os alunos mais antigos pudemos soltar mais as rédeas do Dojo, deixando então que os novatos se tornassem responsáveis por pegarem a sala, o projetor, levar o computador, ou seja, tornar a sessão possível. Isso só é possível pela própria dinâmica do Dojo que não prevê um responsável, mas sim uma consciência de que é o coletivo que faz aquilo tornar-se possível.

O cenário atual do Dojo na UFF é de crescimento, principalmente por causa da nossa última iniciativa. Na semana antes da inscrição dos novos alunos na UFF, o Thiago Garcia teve a ideia de fazer um vídeo com o Rodolpho Eckenhart, desenvolvedor do Google e que também já participou de um Dojo da UFF, falando sobre o Dojo que acontece no Google em São Paulo para motivarmos os alunos a participarem. A partir daí eu pensei em aumentarmos a ideia e chamarmos outros desenvolvedores de grandes empresas. Na quinta-feira de madrugada, articulamos com o Henrique Bastos e ele repassou essa ideia para grandes desenvolvedores como o Caike Souza, o Fabio Akita e o Guilherme Chapiewski. O resultado foi que, no domingo, o vídeo já estava pronto para ser mostrado para os calouros no dia seguinte.

O resultado tanto do vídeo quanto da apresentação do Dojo foi gigante tanto que precisamos dividir os alunos em dois grupos. Um deles ficou comigo e com o Thiago Garcia e o outro com o Everton Moreth e o João Felipe Pimentel em duas sessões de Dojo acontecendo em paralelo. Nelas, haviam pessoas que nunca haviam trabalhado com código e tiveram o seu primeiro contato durante um Dojo. Agora, temos mais novos participantes do Dojo na UFF e, provavelmente, mais um novo horário de encontro por vir.

Dojo na Inscrição

Vale muito a pena dizer que a maioria dos nomes citados nas ações dos que levaram o Dojo ao que é hoje na UFF são alunos e ex-alunos da própria universidade. Todas as ações foram voluntárias e resultadas de empenho pessoal de cada um, sem a necessidade de nenhuma pessoa para coordenar o processo.

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11 Comments

Henrique BastosMarch 23rd, 2011 at 14:35

Totalmente excelente!

Ler cada sentença deste artigo e lembrar de cada uma destas experiências é de arrepiar!

Diego DukãoMarch 24th, 2011 at 07:03

Foda! Só faltou falar do dojo no meio da enchente que culminou com o surgimento dos CDM 7° Dan =)

Abs

Vitor PellegrinoMarch 24th, 2011 at 11:14

Show de bola cara!
Ontem, pela primeira vez, participei do Dojo da lapa e seguramente farei isso mais vezes! Show de bola! :)

Luciano SousaMarch 24th, 2011 at 11:25

Po, esse vídeo da galera falando do dojo é inspirador…
Uma pena eu ter uma rotina agora que me distancia de todos os dojos aqui do rio…

Vou tentar levar essa idéia lá pra veiga de almeida que fica mais fácil participar.

Cláudio BerrondoMarch 24th, 2011 at 23:42

Luciano,

o DojoRio nasceu lá!
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Bernardo FontesMarch 26th, 2011 at 11:00

Esse foi lendário mesmo! Tentei buscar foto dessa época mas não achei =/

JeanMarch 27th, 2011 at 12:20

Muito show!!!
Fui apresentado ao Dojo nessa seção criada pelos “calouros” em 2010.2 e agora tive a oportunidade de participar da apresentação do Dojo aos novos calouros 2011.1!

Sensacional

Ronald ReisMarch 29th, 2011 at 10:43

Parabéns a todos os envolvidos, muito bom!

[...] eu disse no post sobre a história do Dojo na UFF, eu estou fazendo um Projeto Final sobre o Coding Dojo. Para alimentá-lo de informação, resolvi [...]

Adolfo NetoApril 30th, 2011 at 20:48

Excelente!

Pode acrescentar que depois de ler o excelente artigo do Vinicius Teles:

http://blog.improveit.com.br/articles/2010/05/28/apelo-parem-de-ensinar-comp-i-nas-faculdades

eu procurei saber mais sobre Dojos, descobri o Dojo-parana ( http://groups.google.com/group/dojo-parana ) e apresentei a ideia para os alunos da UTFPR.

Alguns alunos da UTFPR já estão participando regularmente dos Dojos em Curitiba e estamos começando a ter Dojos na UTFPR.

A propósito, tenho um aluno de mestrado começando a escrever sua dissertação sobre Dojos. Gostaria que vocês se comunicassem.

[...] final. O nome é Coding Dojo: Novas Possibilidades para o Ensino de Programação e já falei dele aqui quando pedi para o pessoal colaborar com a pesquisa que fiz. Estou terminando de revisá-lo e [...]

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