Primeiras Impressões ao Implatar Agile
Atualmente estou envolvido em vários projetos pessoais. Com a volta às aulas na UFF, esse número conseguiu crescer ainda mais. De todos, o que mais está me animando é a InfoMarka. A InfoMarka é a empresa júnior do curso de Ciência da Computação da UFF. Em um passado recente, a empresa estava numa situação em que o futuro dela não era nada animador. Hoje, uma nova diretoria assumiu com o intuito de tornar a InfoMarka uma referência no que diz respeito a empresas júnior.
Tudo bem, mas o que isso tem a ver comigo? Bem, essa nova diretoria me convidou para coordenar um projeto para uma outra empresa júnior da UFF, a Meta Consultoria. Aceitei a proposta por eles terem aceitado as minhas “exigências” de ter autonomia para ter a equipe que eu quisesse montar – com pessoas que eu confie e não com pessoas que algum processo seletivo non-sense me empurrasse – e também usar minhas metodologias. No caso estou usando um Scrum adaptado. Sobre tecnologia, esse projeto vai ser em Django porque vamos precisar basicamente usar o seu admin para resolver nossos problemas. Entretanto, não é sobre o projeto que quero falar, mas sim sobre as pessoas.
Como eu disse, estamos trabalhando com Scrum. Minha equipe é composta por 5 pessoas onde nenhuma delas já teve experiência com o Scrum ou qualquer outra metodologia ágil. O mais próximo que eles chegaram foram com as experiências que eles tiveram com os processos existentes do Dojo. Entretanto, o que acontece no Dojo não é igual ao uso de metodologias ágeis no dia-a-dia. Fora isso, o cliente também não estava familiarizado com a metodologia e os processos. Portanto, esse terreno que estou pisando está totalmente cru.
O fato de eu estar me relacionando com outros universitários ajuda muito a implantação pois não existem as barreiras e preconceitos que os gerentes ban-ban-bans das empresas possuem com a metodologia ágil. Consegui perceber isso somente na apresentação que fiz tanto para o cliente quanto para a equipe sobre métodos ágeis e sobre como desenvolver software sem pensar em suicídio. Logo após a apresentação, a animação das pessoas em vivenciar aquilo tudo era muito grande e pude comprovar ontem, durante nossa primeira reunião de planning, o quão diferente essa cultura é da convencional.
Durante toda a reunião, os dois lados, tanto da equipe quanto do cliente por várias vezes começavam a querer entrar a fundo em pontos críticos e muito técnicos do projeto. Por várias vezes me vi fazendo o papel de ter que controlar o pessoal para não entrarem em problemas técnicos. Esclarecer para a equipe que nós devemos ouvir o cliente e esclarecer para o cliente que queremos saber somente os problema dele e o que ele quer resolver com o software foi essencial.
O mais interessante é como as pessoas se moldam ao processo rapidamente. Depois de alguns alertas, tanto o cliente quando a equipe entenderam o propósito de estarmos ali. Entenderam que o propósito não era definir todo o sistema nos mínimos detalhes, mas sim uma visão dos requisitos iniciais e que estes não definitivos. Depois dessa reunião conjunta, tivemos a parte do cliente priorizar o backlog. Para mim, essa é a parte que a metodologia faz o cliente se sentir especial.
Não é raro encontrarmos projetos que lidam com o cliente com a visão de que ele tem que estar relaxando e não tem que ter “apurrinhação” com o projeto. A visão é até certa, o problema é o conceito de “apurrinhação”. Quando pensamos em apurrinhar como perguntar e envolver o cliente no processo, cometemos um grande erro que é o de assumir que o cliente não está interessado em como o software cresce. Agora, vamos pensar direito. O cliente investe dinheiro ali, então, será mesmo que ele não está interessado naquilo? Você, como pessoa, gasta o seu dinheiro em algo que você tenha interesse e simplesmente não acompanha o investimento depois? Espero que não. Então, com o cliente dizendo o que quer e depois priorizando o que quer, ele se vê como necessário ao processo e percebe que todo o processo está girando em função dele. O resultado é a satisfação por sentir-se necessário ao produto e contribuidor para o desenvolvimento do seu próprio produto! Toda essa visão foi passada para mim depois pelo próprio cliente e pude comprovar pelo depoimento dele que estar envolvido é importante também para ele.
Por sua vez, temos também a equipe. A decomposição em tarefas das histórias é um momento em que toda a equipe cria um conhecimento técnico do problema. Cada indivíduo se sente mais confortável com o trabalho que está por vir porque ele participou da discussão do que deve ou não deve ser feito para escrevermos aquela história. Mas, a parte que mais se mostrou interessante é a parte da estimativa e de montar o quadro do sprint.
Na estimativa, foi surpreendente a rápida concepção de esforço que a equipe definiu. Já na terceira história a estimativa de todos já estava bastante consistente. No momento de montarmos o quadro, propus uma brincadeira para mudarmos o nome das colunas de a fazer / fazendo / feito. O mais interessante disso é que as pessoas começam a brincar com aquilo e perdem a noção de que o que estão fazendo é o trabalho do dia-a-dia. Acho que isso é essencial em qualquer equipe e acredito que a facilidade em moldar os métodos ágeis para suas necessidades e para o formato da sua equipe torna isso ainda mais possível. Só por curiosidade, nosso quadro agora tem 3 colunas com textos e desenhos. Os desenhos não tenho como colocar aqui, mas os textos são Débito / Loading… / R.I.P. #FTW!
No final, vimos que todos estavam bastante satisfeitos com o processo e a animação para começar a meter a mão na massa era grande. O que mais me interessa nos métodos ágeis é o fato das pessoas estarem se comunicando o tempo todo. Essa comunicação é o que viabiliza a possibilidade de atingir uma entropia dentro da equipe em que torne o trabalho prazeroso e o alto rendimento se dê sem muitos custos.
Pretendo continuar relatando minhas experiências com esse processo na InfoMarka aqui no blog. Faço isso por dois motivos, primeiro para passar algo para vocês e segundo para consolidar na minha cabeça a minha vivência no processo. Sempre vivi os métodos ágeis, mas nunca tive chance de aplicar. Essa se mostrou ser uma oportunidade de ouro da qual desejo retirar o máximo de experiência possível. Então, o máximo de experiência que eu puder tirar é o máximo que eu poderei passar para vocês. Então, continuem acompanhando os próximos capítulos.







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[...] eu fiz um post falando sobre os processos que estou vivendo na InfoMarka. Tudo ainda está muito embrionário e estamos finalizando o nosso primeiro Sprint. Já avançamos [...]
[...] destes com foco em fazer e aprender sem esperar que a universidade tome a iniciativa. Fatos como a retomada da InfoMarka, empresa júnior da Computação, e a história do Dojo na UFF, mostram como os alunos estão [...]